Cooperados recebem sobras
Publicado em: 14/02/2012 - 09:45 | Atualizado em: 18/05/2012 - 23:25
Publicado em: 14/02/2012 - 09:45 | Atualizado em: 18/05/2012 - 23:25
| Ana Carla Poliseli |
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| Agricultores comparecem a cooperativa para receber o valor referente à sua movimentação |
Foi grande a movimentação ontem, na sede da Coamo Agroindustrial Cooperativa, em Campo Mourão. A cena se repetiu nos 63 entrepostos da empresa graças ao início da distribuição das sobras relativas ao ano de 2011. Cada agricultor recebeu o valor referente à sua movimentação na cooperativa. A felicidade ao receber o cheque só não era maior, porque os primeiros resultados da safra de verão não são muito animadores.
“O sol tem castigado a gente não é mesmo?”, questiona a agricultora Madalena Aparecida Pelissar Simões. Ela e o marido, Denervaldo Carlito Simões, que possuem propriedade no distrito de Piquirivai foram cedo buscar o valor relativo à sua participação.
Cooperados desde 1975, eles tem acompanhado o crescimento da Coamo empresa e comemoram o valor global distribuído, 56,3% maior do que foi entregue em 2011. “Esse dinheiro ajuda muito o agricultor, especialmente nessa época em que todos estão um pouco apertados”, coloca. Como as expectativas para essa safra não são as melhores, ela diz que o valor será usado para quitar dívidas. “Não é hora de aumentar o saldo devedor. Para nós, já há destino certo para o cheque”, brinca.
Ao chegar na cooperativa, logo cedo, a primeira providência foi descobrir se o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) poderia ser pago ali. “Se o cheque for suficiente para a penúltima parcela do financiamento do nosso carro e ainda sobrar, já quitamos o IPTU aqui mesmo e depois, voltar a pensar nos próximos”, comenta. Segundo ela, mesmo que a estiagem esteja tirando o sono dos agricultores, a esperança é a última que morre. “Deus é maior. Fazemos a nossa parte e confiamos nele.”
Quem também aguardava sua chamada na sede da cooperativa era o agricultor Nereu Mendes, 62 anos. Para receber o seu cheque ele andou mais de 90 quilômetros. “Sou morador de Maringá, mas tenho propriedades aqui na região e sou cooperado há mais de 20 anos da Coamo”, coloca.
Sem saber ao certo onde será investido o valor referente às suas sobras, ele pensa em investir no campo. “A antecipação acaba saindo mais para compras e gastos relativos ao final do ano. Agora vamos aproveitar para pensar no campo. Colocar na conta e usar isso para pagar contas e investir conservação do maquinário agrícola”, ressalta. Ao analisar os primeiros resultados da colheita em sua propriedade, Mendes, perdeu parte do otimismo. “Este ano vai ser muito ruim, temos expectativas bem baixas porque quebrou demais pela seca”, completa.
Na região de Campo Mourão, segundo os números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a quebra está estimada em 22% para a soja e 18% para o milho.
Economia local
Quando a agricultura tem bons resultados, o comércio comemora. “Pelos empregos gerados e a renda injetada no município com a distribuição das sobras no final de cada ano [dezembro] em forma de antecipação, e em fevereiro com o seu complemento, há um incremento considerável no comércio. Todos os empresários já sabem que o valor vai ser gasto em movimentando a economia local”, revela o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam), Nelson Botega em entrevista recente.
Em 2011, a Coamo realizou investimentos de mais de R$ 150 milhões que propiciaram a redução de custos e agregação de valor a produção dos associados, e o aumento da capacidade de recebimento e armazenagem de produtos agrícolas com a construção, ampliação e melhorias em diversas unidades.
Para o diretor presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini, 2011 foi um marco. Um ano em que o desempenho econômico-financeiro foi sólido com receitas recordes, R$ 5,97 bilhões e um crescimento de 25% em relação ao ano anterior. O volume, bastante alto, movimenta a economia de todas as cidades em que a Coamo está presente. “É um dinheiro que poderíamos construir indústrias ou fazer investimentos, mas a primeira opção é a de devolver aos cooperados e é assim que está ocorrendo. É um dinheiro do agricultor”, diz.
Gallassini ressaltou que a Coamo é uma cooperativa bem-estruturada e administrada tendo em vista a prestação de serviços para propiciar o desenvolvimento, a melhoria da renda e da qualidade de vida dos seus cooperados. “Uma empresa tem que ser administrada com planejamento estratégico e profissionalismo, visando obter resultados positivos. A distribuição das sobras é possível graças à soma de vários fatores e seguramente, a participação expressiva dos cooperados no dia a dia da Coamo é um dos principais motivos para o sucesso da Coamo e de seus cooperados”, assegura.
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