Muito mais do que jogar as sementes no campo
Publicado em: 17/02/2012 - 09:36 | Atualizado em: 18/05/2012 - 23:24
Publicado em: 17/02/2012 - 09:36 | Atualizado em: 18/05/2012 - 23:24
| Ana Carla Poliseli |
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| Produzir tem se tornado aliar técnicas simples ao que a tecnologia oferece |
Terminou ontem, a 24ª Edição do Encontro de Cooperados da Coamo com um evento foi aberto para técnicos e pesquisadores. Durante todo o dia, o grupo viu na prática conceitos que desmitificam a velha máxima de que “se plantando, tudo colhe”. Para que o agricultor tenha resultados é preciso aliar velhas práticas às mais modernas tecnologias.
Há muito tempo, os produtores ouvem falar em MIP. Apesar disso, para muitos, as três letras que significam Manejo Integrado de Pragas, ainda são sinônimo de não aplicar defensivos. “E não é isso”, comenta a entomologista, doutora Beatriz Correa Ferreira. Ela comandou um estudo que analisou mais de 100 amostras para comprovar a eficácia da técnica.
Segundo ela, foram feitos três grupos para o estudo. Um deles seguiu as técnicas do MIP, em outro trecho, a lavoura foi conduzida normalmente pelo produtor e um terceiro grupo não recebeu qualquer cuidado quanto a pragas - era o grupo de testemunha. “O resultado é o que estamos apresentando aos produtores”, coloca a pesquisadora.
Segundo ela, a preocupação começou porque o número de pragas vem aumentando e, com isso, o aumento do número de aplicações de defensivos agrícolas. “No passado tínhamos apenas duas espécies de pragas, agora são muitas e com as repetidas aplicações, além do dano ambiental, há diminuição no retorno para o produtor”, contabiliza.
O chefe da Fazenda Experimental, Joaquim Mariano Costa, resumiu o que seria a técnica. “É o produtor aprender a usar o produto na dose correta, na intensidade, momento e tamanho certo da praga. É uma tecnologia barata e antiga, mas que requer cuidados”, lembra ao acrescentar que isso pode beneficiar tanto o pequeno produtor como os grandes cooperados.
“A aplicação desnecessária traz custos e desequilíbrio para as pragas, porque começa a matar os indivíduos em um estágio em que não era preciso. Além de eliminar inimigos naturais, o que não é recomendável.”
De acordo com a pesquisa coordenada pela Coamo, a área monitorada pelo MIP não perdeu em produtividade ou qualidade e teve duas vezes menos aplicação de defensivos. “Fizemos um mapa do Impacto e dano regionalizado. Campo Mourão e a região Oeste tem alta incidência de pragas”, explica Beatriz. A pesquisadora alertou para a importância do cuidado com o percevejo, que segundo ela é um problema sério que não estava tendo um bom controle.
Costa acrescentou que apesar de ser antiga e simples, a adoção da tecnologia ainda é falha. “Temos carência da adoção dessa tecnologia e a gente sempre está fazendo difusão para que seja adotada. Estamos mostrando a importância e na prática como fazer o manejo integrado de pragas.”
"O Pano Mágico"
| Ana Carla Poliseli |
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| Após a batida, nível da infestação se torna claro |
A pesquisadora também aproveitou para ressaltar a importância do uso do pano de batida para o controle de pragas. Segundo ela, apenas a análise visual é insuficiente para saber ao certo qual a infestação daquela área. “É engraçado que chegam a brincar que o pano é mágico, porque antes olham e não enxergam nada. Depois que usam o pano, aparece a infestação”, diz.
A técnica que poderia ser chamada até de ‘rudimentar’, consiste em usar um pano branco distribuído pela cooperativa em todos os entrepostos para fazer uma batida por metro quadrado. Nele estão gravados desenhos didáticos em vários locais. “Lá estão impressos o tamanho dos percevejos a partir do qual podem ser contados como praga. Esses panos foram distribuídos em todos os entrepostos da Coamo, para 100% dos cooperados”, alerta Costa.
O pano foi elaborado em parceria entre a cooperativa e a Embrapa. “Nós estamos aqui para mostrar essa metodologia de fazer amostragem. Barata, ambientalmente correta e socialmente adequada na utilização de defensivos agrícolas”, finaliza o Engenheiro Agrônomo.
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