Campo Mourão

Marginais atacam estação climatológica

Dilmércio Daleffe

23/03/2011 às 08:49 - Atualizado em 23/03/2011 às 08:48

Importante instrumento às pesquisas do tempo em Campo Mourão e região, a Estação Climatológica sofreu em menos de uma semana duas visitas de ladrões. Na primeira delas os gaiatos levaram quase toda a sua fiação elétrica, deixando o prédio às escuras. Na segunda aparição, levaram parte do alambrado. Hoje, o local está a mercê de roubos e vandalismo. Sem nenhuma espécie de vigilância, pesquisas armazenadas há mais de 30 anos podem ser perdidas a qualquer momento.

Estas não foram as primeiras perdas do lugar. Há tempos em que a estação vem sendo vítima da ausência da cultura de marginais. “Eles nem imaginam a importância que estes aparelhos representam para a pesquisa do tempo”, diz indignado Victor Borsato, professor de Climatologia da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam). Também coordenador da estação, é ele quem ajuda na armazenagem dos dados coletados diariamente por estudantes da instituição. O prejuízo só não foi maior porque os meliantes não conseguiram derrubar uma das portas que dá acesso a aparelhos como o barômetro e o barógrafo.

Joelson Massoquim é estagiário na estação e, diariamente, faz três medições no local. “É um absurdo o que fizeram”, disse. Segundo ele, a questão agora é que atos impensados como estes podem levar até o fechamento da estação. Massoquim também lembra que a cidade é privilegiada por manter uma das poucas estações de todo o estado – são dez ao todo. “Além de pesquisas, os dados coletados servem diretamente para a agricultura”, afirmou. Revoltado com a ação de meliantes, ele acredita que o alambrado roubado esteja servindo, agora, para um galinheiro qualquer. Uma vez constatadas as avarias na estação, o coordenador foi até a Polícia Civil e prestou queixa. Ele afirmou que a polícia prometeu empenho nas investigações. 

O professor relata que os aparelhos do Instituto Tecnológico Simepar – o órgão também mantém equipamentos na estação de Campo Mourão – foram os mais atingidos, uma vez que precisam de energia elétrica. “Os dados da velocidade dos ventos e de chuvas foram afetados”, disse. Quase todos os outros aparelhos da estação não precisam de eletricidade. A saída para conter as ações de ladrões, de acordo com Borsato, seria a construção de um abrigo com a presença constante de um vigia, ou um caseiro. “A direção da faculdade já está pensando nesta possibilidade”, informou. Mesmo sendo de responsabilidade do governo federal, a estação, existente em Campo Mourão há quase 50 anos, está sob a responsabilidade da Fecilcam.

 

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Borsato e Massoquim observando estragos no alambrado


Para que serve a Estação Climatológica de Campo Mourão

Localizada nas proximidades do Colégio Agrícola, a unidade está sob a responsabilidade do Departamento de Geografia da Fecilcam, desde o ano de 1991. A Estação é utilizada para fins educacionais, atendimento à educação básica e superior, em especial aos acadêmicos do Curso de Geografia. Também é voltada aos agricultores de toda a região, assim como para estágio supervisionado para Plotador Meteorológico e desenvolvimento de  pesquisa. A Estação Climatológica também conta com a implantação de uma Estação Automatizada do SIMEPAR (Sistema Meteorológico do Paraná).  Os dados são rastreados via satélite, transmitidos automaticamente para Curitiba e de lá, divulgados. Na estação também são feitas coletas climatológicas e sinóticas, pelo menos três vezes ao dia, além das leituras horárias efetuadas segundo dados registrados automaticamente (registradores).

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