Campo Mourão

Curso de azulejista gera oportunidades

Ana Carla Poliseli

28/07/2013 às 18:29 - Atualizado em 29/07/2013 às 09:57

Ana Carla Poliseli/Tribuna do Interior

Alunos preparam instrumentos para começar com as aulas práticas

Conseguir um azulejista para alguma obra ou reforma em Campo Mourão está cada vez mais complicado. Os poucos profissionais da cidade estão sempre com a agenda cheia. Para atender a essa demanda da sociedade e oportunizar um lucro a mais para as famílias inscritas no Cadastro Único do programa Bolsa Família, teve início esta semana o curso profissionalizante de azulejista na Escola Municipal Castro Alves. Serão 160 horas divididas em dois meses, com aulas na segunda e terça-feira durante a noite e também no sábado. Para a primeira turma, 16 pessoas se inscreveram, entre eles quatro mulheres.

Uma delas é Roseli Pinheiro Nascimento, 32 anos, que sempre viu o marido trabalhar como pedreiro e acabou pegando gosto pela profissão. “Quero aprender mesmo para poder trabalhar na área depois. Estamos na expectativa pelas aulas práticas mesmo”, comenta. Nessa primeira semana, as aulas noturnas foram teóricas e no sábado, os alunos começaram a montar os instrumentos necessários para a prática, como os quadros para preparo da massa.

“Nunca tinha pensado em ir para a área da construção civil, quando ouvi que haveria esse curso em uma assembleia da escola eu me interessei”, explica a dona de casa Darlene Cordeiro da Silva, 29 anos. Segundo ela, deixar a casa e a família para estudar não é uma tarefa fácil. “Tem horas em que minha vontade era ficar lá, com eles, mas sei que é um esforço que vai valer a pena. Estamos construindo nossa casa e com o que aprender aqui, espero eu mesma fazer a parte de azulejista”, completa.

Para Marinete dos Santos, 32 anos, esse é apenas o primeiro curso. “Quero aprender o máximo que eu conseguir. Depois desse, quero outros cursos na área da Construção Civil”, relata ao detalhar que não planeja trabalhar imediatamente, mas se surgir a oportunidade, pode sim aproveitar.

De acordo com o professor do curso, o estudante de Engenharia Civil da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/CM), Fabiano Queiroz, durante os dois meses, os estudantes vão aprender a assentar todos os tipos de revestimento, desde o revestimento cerâmico mais vendido e mais barato a pastilhas de vidro, pastilhas porcelanicas e o porcelanato. “Eles vão aprender a aplicar todos esses materiais e nos mais variados tipos de alinhamentos. O alinhamento convencional que é o que você vê nas obras normais, que é um atrás do outro. Tem também o alinhamento em diagonal e o alinhamento intercalado entre outros.”

Segundo ele, não é necessário ter experiência para fazer o curso, apenas vontade de aprender. “O mercado de trabalho está muito aquecido, está em falta e o azulejista principalmente. Mais do que o pedreiro de assentamento de tijolo e reboco.” Todos os materiais e o lanche são servidos pelo Senai. “O Senai fornece tudo, desde as ferramentas até os materiais que serão utilizados. O intuito é que os alunos saiam como profissionais azulejistas mesmo”, comenta.

Vontade de aprender é o que não falta para Paulo Messias Santos, 61 anos. “Gosto muito dessa área, já fiz curso de comandos elétricos, eletricista industrial, eletrônica áudio e vídeo. Eu sempre gosto de estudar. O Senai me deu essa oportunidade e pra mim é muito bom.” Ele que já trabalhou organizando comandos elétricos explica que não está mudando de área, apenas agregando novas possibilidades. “Às vezes eu preciso fazer alguma coisa em casa então já sei. Em vez de mandar outro eu mesmo faço. Gosto muito dessa área, nossa, dou a vida para ficar no meio do povo.”

O diretor da escola, Marcelo Cruz, explicou que há um plano de gestão que prioriza que a escola esteja aberta para a comunidade. “Hoje nós percebemos uma demanda muito grande nessa área de azulejista, assentador de piso cerâmico devido ao programa Minha Casa, Minha Vida, em que Campo Mourão está inserido.”

Segundo ele, além deste curso, no dia cinco começa outro profissionalizante que é de porteiro e vigia. “Esse é um plano de gestão que está dando certo e a comunidade está acolhendo. Estamos em um caminho certo que é a profissionalização desse pessoal em cursos técnicos e contando com várias parcerias: o Sistema S, secretaria de educação e a prefeitura de Campo Mourão”, diz ao relatar que isso ajuda na evolução do conhecimento e na capacitação profissional de todos os interessados. “É um projeto piloto, a gente vai se aperfeiçoando, começa de uma maneira e aos poucos vai melhorando. A escola disponibilizou o espaço e a ideia é movimentar a escola com vários cursos profissionalizantes.”

Serviço

Os cursos são oferecidos por meio do Pronatec, então para se inscrever é preciso fazer o procedimento na Ação Social. É preciso ter uma idade mínima de 16 anos e estar inscrito no cadastro único. Mais informações podem ser obtidas na escola, que fica na Vila Guarujá, na secretaria de Ação Social ou no Senai.

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