Campo Mourão

Emater promove encontro estadual em Campo Mourão

Evento reuniu coordenadores regionais de todo o Estado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. (Foto: Walter Pereira/Tribuna do Interior)

O Instituto Emater encerrou ontem em Campo Mourão um encontro estadual com coordenadores regionais de todo o Paraná para avaliar o Projeto Grãos na safra 2016/2017. O evento, realizado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais foi aberto na quarta-feira. Segundo o coordenador regional da Emater, Sandro César Albrecht , entre as principais estratégias de trabalho do programa está o monitoramento e manejo integrado de pragas;  doenças e plantas daninhas;  a melhoria da gestão financeira; e a tomada de decisões da propriedade.

“O objetivo da reunião é uma avaliação da safra 2016/2017 nas boas práticas aplicadas junto aos agricultores, dentre elas o manejo integrado de pragas e doenças na cultura da soja”, ressaltou. Segundo ele, o trabalho vem sendo feito há quatro anos, e todos os anos os resultados vem sendo positivos, com números que incidam para a redução de 50% da aplicação de agrotóxicos.

Albrecht  explicou que o Instituto Emater atua no Projeto Grãos visando a geração de renda, a produção sustentável e a oferta de alimentos seguros, preservando os recursos naturais e a qualidade produtiva dos solos.  Destaca-se ainda as ações para a melhoria da qualidade do plantio direto na palha, o combate às derivas de agrotóxicos e seus impactos econômicos e ambientais e a redução das perdas na colheita.

O Projeto conta com importantes parcerias de trabalho, entre elas a Embrapa Soja e o Iapar no processo de capacitação e transferência de tecnologias e o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia ) na área de agroclimatologia visando o planejamento e manejo das safras agrícolas.  “O projeto atua principalmente com produtores rurais da agricultura familiar. Cada técnico que trabalha com as propriedades de grãos tem metas para cumprir, como questões de produção, cuidados com o meio ambiente, entre outros”, frisou.

Albrecht informou que o trabalho faz parte da campanha Plante seu Futuro, da Secretaria de Agricultura do Paraná, que visa a disseminação de boas práticas na agricultura. “Boas práticas são aquelas que já existem e falta de repente o produtor usar como o manejo integrado de pragas, que inclui aplicação de defensivos agrícolas realmente quando for necessário, manejo de solos, uso da água, tecnologia da aplicação, entre outros”, emendou.

MIP

O programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) está baseado em dois fundamentos técnicos. Um deles é o monitoramento das lavouras. É através desta prática que o produtor pode identificar a ocorrência ou não de pragas, calcular a população desses insetos, verificar a presença de inimigos naturais das pragas e avaliar os níveis de danos na plantação em termos de desfolha. “A vistoria é feita com metodologia desenvolvida pela Embrapa. O instrumento básico é o pano de batidas. As informações levantadas nessa visitação à lavoura são usadas, depois, pelo profissional que presta assistência técnica para decidir qual o caminho a ser tomado”, diz Albrecht. 

O segundo fundamento técnico do MIP é a busca da manutenção do equilíbrio ambiental. “Caso o dano causado por determinada praga justifique o seu controle, o agricultor deve optar por aquele método que provoque o menor impacto sobre as diversas populações de insetos presentes na plantação. Poderá ele, por exemplo, recorrer a uma alternativa biológica ou usar até um produto químico, mas que tenha ação seletiva, que atua sobre a praga preservando os demais insetos benéficos presentes na área”, explicou.

As principais pragas que atacam as plantações de soja são a lagarta e o percevejo. A primeira representa preocupação no início do ciclo da cultura; o segundo, na fase mais adiantada, durante a formação dos grãos. Segundo Albrecht , o uso indiscriminado e sem critérios de agrotóxicos tem levado ao surgimento de populações desse inseto, resistente a alguns inseticidas recomendados pela assistência técnica.

O percevejo durante o período de entressafra sobrevive na vegetação que fica no entorno das áreas usadas para o plantio da soja ou mesmo sobre esta aproveitando algumas plantas invasoras como hospedeiro. São populações pequenas. No entanto, o produtor muitas vezes no afã de aproveitar o trabalho de aplicação do herbicida usado para fazer a dessecação do mato antes do plantio, mistura no tanque do pulverizador um pouco de inseticida para eliminar de vez esses insetos. Prática totalmente errada, dizem os técnicos. Primeiro, porque poderá não ter o controle que espera. Segundo, e mais importante ainda: vai matar também os insetos que poderiam, lá na frente, na fase mais avançada de desenvolvimento da cultura, ajudar a controlar o próprio percevejo e lagartas. Ele provoca o desequilíbrio sobre o ambiente da plantação, facilitando até o ataque mais precoce das lagartas desfolhadoras e mesmo dos percevejos. 

A tecnologia de Manejo Integrado de Pragas da Soja foi desenvolvida pela Embrapa ainda no final da década de 70. Neste período, a proposta experimentou avanços no campo, apoiada, principalmente, pela alternativa de controle biológico da lagarta feito com o baculovírus. O método era simples: o produtor coletava na plantação lagartas contaminadas e doentes por este vírus e, depois, preparava um macerado para pulverização da lavoura. A tecnologia era e continua sendo eficiente. No entanto, exige do sojicultor maior atenção. Exige, por exemplo, o monitoramento periódico da plantação. Ao contrário dos agrotóxicos, o baculovírus não mata o inseto na hora e isso preocupa o sojicultor que teme perder parte da sua produção.