Policial

Suicídio na cadeia de CM gera tumulto

Ana Carla Poliseli

06/06/2013 às 12:24 - Atualizado em 07/06/2013 às 10:25

Somente próximo às 13h30 a polícia conseguiu controlar a rebelião que havia começado por volta de 11 horas no mini presídio de Campo Mourão. Foram precisos cerca de 30 agentes da Polícia Militar, Rotam, Batalhão de Choque, Serviço Reservado, Polícia Civil e agentes penitenciários. O ‘estopim’ para a ação dos presos foi o suicídio do preso Mauricio da Silva Hernandes, de 25 anos. Para conter os 250 presos foi preciso usar balas de festim e um preso, identificado como ‘Fábio’ acabou ferido e levado para o hospital Pronto Socorro. A cadeia de Campo Mourão está superlotada há tempos, a capacidade é para 70 presos.

Do lado de fora, familiares dos presos aguardavam ansiosos a chegada de informações. A cada novo disparo das armas não letais usadas pelos policiais, a tensão aumentava e o medo era que pudesse haver novas mortes. O público que se formou em volta da delegacia era composto na maioria por mulheres dos custodiados na 16ª SDP. Elas pediam que tudo fosse registrado e que promotores e juízes viessem para impedir que acontecesse uma tragédia.

Segundo a informação da Polícia Civil não foi possível fazer uma negociação e não havia reivindicações específicas. “A gente tentava falar e eles só gritavam e batiam nas grades. Não teve acordo eles não estavam pedindo nada. Nem classifico como rebelião, foi um tumulto e o suicídio foi o pretexto que usaram”, explicou a delegada de plantão, Maria Nysa Moreira Nanni. Entre os pedidos constantes estão a permissão para trazer novas roupas, mais colchões e tênis. “O ambiente já é pequeno e está superlotado. São coisas que não tem sentido trazer. Todo o sistema tem problemas, não é exclusividade nossa.”

Galerias

Há vários anos, para aumentar o espaço interno no mini presídio, as portas das celas foram removidas e o espaço foi dividido em duas grandes galerias. “Como não temos as portas, os policiais entraram para conter e ficaram de frente com 250 presos. Houve enfrentamento e foi preciso usar a força”, explica Jacovós.

Pelas informações prestadas pelos policiais, os líderes do movimento acabavam colocando presos mais fracos como ‘peões’ para barrar o avanço das tropas. Na confusão, pressionados entre os demais presos e os policiais, alguns ficaram feridos. Um deles, identificado como ‘Galego’ precisou ser levado para o hospital. Mais tarde, outros dois foram para o posto 24 horas para receberem curativos. O comando da invasão ficou a cargo do batalhão de choque da Polícia Militar. “Na hora tivemos que usar a força, mas foi controlado rapidamente e sem maiores problemas”, detalhou o comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, major Wanderlei Castro.

‘Bate grade’


Após o controle da rebelião, os presos foram levados para o solário e foi feita uma revista nas duas galerias. Foram encontradas diversas armas brancas e cassetetes improvisados, até mesmo um facão. “Tudo o que entra na delegacia eles transformam em armas, qualquer coisa mesmo”, diz a delegada. Durante a confusão algumas grades de aço foram danificadas.

Suicídio

Hernandes havia sido preso por envolvimento em quatro homicídios em Janiópolis. De acordo com Maria Nysa, ele havia sido transferido para a solitária como punição pela tentativa de homicídio de um companheiro de cela. “Ele tinha um comportamento extremamente violento. O outro preso estava dormindo ele jogou álcool e riscou o fósforo. Os outros presos não queriam que ele ficasse por perto.” Por volta de 11 horas, o corpo foi encontrado pendurado por uma corda fina às grades e segundo a perícia, a vítima que armou a ‘cena’ e aguardou a morte.

O preso, segundo a delegada, tinha indícios de sofrer de distúrbios psicológicos e constantemente jogava água quente nos demais custodiados. “A sanidade era inclusive questionada juridicamente. A agressividade dele acabou se voltando contra ele”, completa a delegada. A perícia foi feita por técnicos do instituto de criminalística de Maringá.

Hernandes estava preso desde maio de 2012, acusado de participar no dia 15 de abril, de uma chacina na cidade de Janiópolis. Três pessoas foram assassinadas e outras duas baleadas em um intervalo de menos de 20 minutos na cidade. A quarta vítima, uma gestante morreu no hospital.

Fotos: Ana Carla Poliseli/Tribuna do Interior

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Queda d'água no Rio do campo, em Campo Mourão

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