Índice de mortalidade infantil é preocupante

Publicado em: 07/08/2011 - 09:54 | Atualizado em: 06/10/2011 - 09:04

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Elizabeth, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica

Falta de qualidade ao pré-natal e saúde desestruturada. Em pleno século 21, por incrível que pareça, esses são os principais “vilões” que vêm aumentando os casos de mortalidade infantil na região de Campo Mourão. Dados preliminares da 11ª Regional de Saúde apontam que a taxa este ano, já atinge 12,8 bebês mortos para cada mil nascidos. O recomendando pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 10 óbitos para cada mil. Em 2009 o índice regional fechou em 13,7 e 12,6 em 2010.

Se analisados município a município, a situação é ainda mais alarmante. Nos últimos três anos, em cidades pequenas como Nova Cantu, por exemplo, a taxa extrapolou: 44,4 em 2009 e 55,6 em 2010. Este ano, até agora não houve registros. Araruna também, tem tido altos índices, (25,3 em 2009 e 18,2 em 2010), ainda não há casos contabilizados em 2011. A exemplo destes centros, vários outros de porte igual amargam a mesma realidade.

Campo Mourão, apesar de um índice sócio econômico bem superior comparado aos municípios vizinhos, a situação não tem sido nada diferente. Pelo contrário, supera em grandes proporções cidades bem menores como Luiziana, por exemplo, que em 2009 o índice ficou em 8,6; (8,4 em 2010) e chega a 13,5 neste ano. Em Campo Mourão para se ter ideia, de 2009 até agora, todos os anos a taxa de mortalidade infantil sofreu aumento bem acima do recomendado pela OMS: (12,6 em 2009); (16,85, 2010) e (17 até agora, em 2011).

De acordo com a chefe de Divisão de Vigilância Epidemiológica da 11ª Regional de Saúde, Elizabeth Mitiko Konno de Lozada, vários fatores podem influenciar a mortalidade infantil. Desde questões ambientais a condições sociais e sócio-econômicas e, até mesmo o grau de instrução da gestante. As condições de atendimentos do paciente, ou seja, saúde de boa qualidade também interfere e muito nas causas de mortes infantis. “O que a gente vê é que as mortes estão associadas mais ao pré-natal. Elas morrem no período perinatal - aquele que se inicia na idade gestacional na qual o feto atinge o peso de 1000g (equivalente a 28 semanas de gestação)-, são crianças precoces decorrente de uma prematuridade e não conseguem se desenvolver”, explica.

Segundo Elizabeth, em anos anteriores, as crianças morriam mais tardiamente por desnutrição, diarréias, pneumonia, entre outros. Eram condições mais ligadas propriamente a atenção da criança. Porém com o advento da descentralização das unidades básicas de saúde com pediatras e vacinas, foram muitas as melhorias.

A chefe da Divisão frisa que as infecções urinárias são as principais causadoras da prematuridade. Entre outros motivos estão, às vezes, pré-natal mal conduzido, exame que tarda para sair o resultado ou até mesmo tratamento inadequado com medicamento. “Muitas vezes são infecções urinárias de repetição, às vezes mal tratadas ou não tratadas”, ressalta.

Gravidez na adolescência

A gravidez na adolescência é outra grande preocupação, isso por ser considerada gestação de risco assim como pessoas de idade mais avançada (acima de 40 anos). Porém, segundo dados da Regional de Saúde, apenas de 20 a 25% dos partos da região são de adolescentes grávidas. Ou seja, os óbitos estão ocorrendo em faixas etárias mais altas e, geralmente estão ligados ao grau de instrução da mãe ou a alguma patologia anterior.

Em relação a municípios sem hospitais, onde o índice de mortalidade é zero, caso da vizinha Corumbataí do Sul, onde nasceram mais de 100 crianças desde 2009 e nenhuma morreu, Elizabeth diz que é preciso fazer um estudo mais aprofundado. “Seria muita leviandade falarmos que a mortalidade é zero porque não tem hospital. Então quer dizer que o hospital é o fator de risco”, questiona. Ela acrescenta estudos apontam que que a mortalidade está ligada também a questões técnicas. “Sabemos que um cirurgião ou qualquer profissional que faz mais procedimentos, melhor será a sua experiência”, justifica.

 

Comitê de investigação

Conforme Elizabeth, cada município possui um comitê de investigação de mortes infantis, que conta com médicos, enfermeiros, pessoal da secretaria de Saúde, funcionários da epidemiologia entre outros. Além disso, existem também, um comitê regional e outro estadual, que analisam os óbitos.

“A preocupação da Regional [de Saúde] é melhorar a qualidade da assistência como um todo porque isso vai reduzir não só a mortalidade infantil, mas a mortalidade materna. E essa melhoria na qualidade é dada desde atenção primária, garantindo os exames à paciente para que ela tenha também um parto hospitalar”, completa.

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